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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Cidades

CELULAR SEGURO, APP DO GOVERNO QUE VISA INIBIR ROUBOS, TERÁ DESAFIOS PARA CUMPRIR FINALIDADE; VEJA COMO VAI FUNCIONAR

Mas, para que o aparelho roubado seja inútil para os criminosos, será preciso ampliar parcerias, dizem especialistas.

Jornal Trombeta
Por Jornal Trombeta
CELULAR SEGURO, APP DO GOVERNO QUE VISA INIBIR ROUBOS, TERÁ DESAFIOS PARA CUMPRIR FINALIDADE; VEJA COMO VAI FUNCIONAR
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O Celular Seguro, serviço com o qual o governo federal pretende inibir roubos de smartphones, poderá, num primeiro momento, ajudar a bloquear o acesso de bandidos à linha telefônica e a aplicativos de bancos ao notificar terceiros sobre crimes.

Mas ainda não será capaz de fazer dos aparelhos "um pedaço de metal inútil" na mão dos bandidos, como pretende o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O aplicativo e o site permitirão quem teve o celular roubado ou furtado avisar várias instituições de uma vez. Eles serão lançados nesta terça-feira (19), tendo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e bancos como parceiros (veja a lista ao fim da reportagem).

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Com base em informações divulgadas pelo ministério, o g1 ouviu especialistas para entender o que pode ser positivo e quais são os desafios para que o serviço tenha a finalidade completa pretendida. Confira os principais pontos levantados:

 

  • ? A proposta é que quem se cadastrar previamente e tiver o celular roubado, furtado ou perdido poderá registrar uma "ocorrência" no aplicativo;
  • ?? O alerta será enviado, ao mesmo tempo, para operadoras de telefonia e bancos que participam da iniciativa;
  • ? Se a ideia se cumprir, a vítima perderá menos tempo para entrar em contato com cada instituição;
  • ? Por outro lado, não há garantia de bloqueio imediato. A associação de operadoras de telefonia fala em até 6 horas para encaminhar o pedido às operadoras e mais 1 dia útil para a a linha ser bloqueada. Alguns bancos participantes citam bloqueio imediato, mas outros têm prazo de até meia hora, a partir do recebimento do alerta feito pelo app;
  • ? Outra questão é que os aparelhos não ficarão totalmente inutilizados. Para isso, seria preciso que os sistemas também fossem bloqueados, mas os principais desenvolvedores, Google (Android) e Apple (iOS), não estavam citados entre os parceiros até esta segunda-feira (18).

O que dizem especialistas?

 

O diretor de tecnologia da empresa de telecomunicações Sage Networks, Thiago Ayub, disse que o esforço é bem-vindo, mas lembrou que outras iniciativas já foram burladas por criminosos. "Se burla semelhante ocorrer novamente, essa nova iniciativa terá sua eficácia reduzida", disse.

Ele também destacou a importância de incluir fabricantes de celular e desenvolvedoras de sistemas no programa do governo.

 

"Essas ações terão uma chance de sucesso bem maior, seja utilizando outro tipo de identificação não alterável do aparelho, seja impedindo o mecanismo de troca de IMEI [código de identificação do aparelho] que criminosos já demonstraram serem aptos a fazer", disse.

 

O presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética, Hiago Kin, alertou para possíveis mal-entendidos que o novo app pode causar. Para ele, usuários poderão se confundir e pensar que a ferramenta bloqueia celulares, quando, na verdade, apenas notifica outras instituições.

Na avaliação de Kin, é preciso evitar falhas de comunicação e monitorar eventuais golpes que usem o nome do Celular Seguro, para não trazer mais prejuízo aos usuários.

 

"O maior risco à população se dá por meio das brechas a ataques de engenharia social, como usuários sendo enganados, a partir de comunicações falsas de que 'seus números serão bloqueados por um app do governo'", afirmou Kin.

Como vai funcionar?

 

O Celular Seguro deverá agilizar notificações a terceiros sobre roubos, furtos e perdas de celulares. Isso será feito por meio de parcerias entre o governo e instituições como a Anatel, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e instituições financeiras.

O governo federal também prevê ampliar a parceria com operadoras de celular para bloquear o chip – e não apenas o celular – e impedir o recebimento de mensagens de texto que permitem recuperar senhas de redes sociais, por exemplo.

A expansão deverá ser implementada em janeiro de 2024, informou ao g1 o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli. Ele afirmou ainda que iFood, Uber, 99, Mercado Livre e Nubank também deverão aderir ao programa.

 

"A pessoa que roubou o aparelho não vai conseguir usar os aplicativos, não vai acessar os bancos, não vai conseguir vender o aparelho", disse Cappelli. "A gente acredita que, com isso, vai desestimular o interesse por esse delito e também pela receptação".

Quem está trabalhando com o governo?

 

 

  • Anatel: coordenação entre operadoras de telefonia e ABR Telecom;
  • ABR Telecom: encaminhamento para as operadoras participantes (Algar Telecom, Claro, Datora Telecom, Emnify Brasil, Sercomtel, Surf Telecom, TIM, Vivo/Telefônica);
  • Febraban: coordenação entre as instituições financeiras;
  • Banco do Brasil, Banco Inter, Banco Pan, Banco Safra, Bradesco, BTG Pactual, Caixa, Itaú, Santander, Sicoob, Sicredi e XP Investimentos: interrupção do acesso aos seus aplicativos.

 

Passo a passo para usar o app Celular Seguro do governo — Foto: Bárbara Miranda/Arte g1

Passo a passo para usar o app Celular Seguro do governo — Foto: Bárbara Miranda/Arte g1

FONTE/CRÉDITOS: jacidade.com.br
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