O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a greve das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em assembleia geral na noite desta terça-feira (4).
O rodízio municipal de veículos seguirá suspenso, informou a prefeitura nesta noite.
Até quando vai a greve da CPTM?
A paralisação nas linhas de trem é por prazo indeterminado, com nova assembleia convocada para as 17h desta quarta-feira (5). A reivindicação é para que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresente compromisso formal de que manterá todos os trabalhadores mesmo com a concessão dos ramais à iniciativa privada.
Por nota, o governo afirmou ter assumido o compromisso de não fazer demissões durante o período de realocação de funcionários da companhia. Também disse ter apresentado propostas concretas.
“A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação. Ao contrário do que alega a entidade, não há demissões em curso, o que torna sem fundamento a motivação trabalhista da greve”, completou.
Por sua vez, o sindicato pede a garantia formal da manutenção dos empregos. “O Governo do Estado ainda não apresentou uma garantia concreta por escrito de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, principal reivindicação”, apontou.
Por que o governo retomou as linhas da CPTM?
O governo retomou o controle temporariamente das três linhas no fim de julho. A medida ocorreu após falhas no sistema elétrico, incêndio em vagão e outros problemas. A operação era de responsabilidade da concessionária Trivia Trens.
TRT marca conciliação entre CPTM e sindicato
Uma conciliação entre sindicato e CPTM foi marcada para as 12h desta quarta no TRT-2 (Tribunal Regional da 2ª Região). A Justiça havia determinado 80% do efetivo de trabalhadores no pico (4h às 10h e 16h às 21h) e 60% no restante da operação nesta terça.
O descumprimento é sujeito a multa diária de R$ 400 mil. A deliberação incluiu, ainda, a apresentação de medidas para que cidadãos não sejam prejudicados caso a greve fosse ampliada para quarta, com possibilidade de multa de R$ 1 milhão ao sindicato e R$ 2 milhões à CPTM.
Quais trechos da CPTM estão funcionando?
De acordo com a CPTM, cerca de um terço da média de trens para o pico estava em operação à tarde, com foco nos percursos de maior demanda. A operação abrange os seguintes trechos:
linha 11-coral: entre estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases;
linha 12-safira: entre estações Brás e Engenheiro Goulart;
linha 13-jade: todas as estações, com velocidade reduzida;
Expresso Aeroporto: operação paralisada.
Ônibus são disponibilizados para passageiros afetados
O sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado. É voltado a atender passageiros dos trechos afetados do extremo leste da capital paulista e de municípios da região metropolitana, como Ferraz de Vasconcelos, Poá e Mogi das Cruzes.
De acordo com a Artesp (Agência Reguladora de Transporte), foram disponibilizados 128 ônibus. Também foi ampliada a operação do Metrô e de linhas intermunicipais de ônibus.
“É importante destacar que ônibus não substituem a capacidade de um trem, que transporta cerca de 2,4 mil passageiros por composição”, justificou em nota.
Ferroviários cobram aprovação de projeto de lei
Uma das pautas dos ferroviários é a aprovação do projeto de lei estadual 730/2025. A proposta permite a absorção dos trabalhadores da CPTM por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta no caso de concessão, permissões ou PPP (Parceria Público-Privada).
O tema foi tratado pelo presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves de Matos, em reunião com deputados na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta terça. Pela manhã, houve superlotação e atrasos no transporte de trabalhadores.
Rodízio de veículos continua suspenso em São Paulo
O rodízio de automóveis na cidade de São Paulo está suspenso por causa da greve. Somadas, as três linhas transportaram 786,5 mil passageiros em dias úteis, segundo dados de junho.
Concessão das linhas prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos
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