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Domingo, 21 de Junho de 2026

Economia

Fazenda quer fechar brecha legal em exportações para arrecadar até R$ 30 bilhões por ano

Secretário do Tesouro afirma que empresas fazem triangulação com paraísos fiscais para recolher menos Imposto de Renda

Jornal Trombeta
Por Jornal Trombeta
Fazenda quer fechar brecha legal em exportações para arrecadar até R$ 30 bilhões por ano
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A equipe econômica do governo busca fechar brechas legais utilizadas por empresas nas vendas ao exterior para aumentar a arrecadação de impostos. É o que afirma o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em entrevista ao g1 e à GloboNews.

Segundo ele, algumas empresas exportadoras fazem triangulação em paraísos fiscais para recolher menos Imposto de Renda.

Com o fechamento dessa brecha legal, que passa pela mudança nas regras dos "preços de transferência", a expectativa é de aumentar a arrecadação entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por ano.

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"O trabalho está aqui, toda a produção está aqui e aí você faz uma triangulação com paraíso fiscal para recolher algum valor irrisório de Imposto de Renda lá e não recolher quase nada aqui no Brasil. É difícil, né? Dezenas de bilhões em perdas", afirmou Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional.

 

 

Como funciona: a empresa brasileira vende o produto por valor subfaturado (preço inferior ao real) para uma subsidiária própria, sediada em paraíso fiscal (países com alíquotas de tributação muito baixas ou nulas). Esta, por sua vez, repassa a mercadoria para o verdadeiro comprador estrangeiro. Dessa forma, a maior parte do lucro da empresa no Brasil é transferida para a subsidiária no exterior, onde a tributação é muito menor.

 

Preços de transferências

 

A mudança de regras para exportações, citada pelo secretário do Tesouro Nacional, está sendo debatida no Legislativo, por meio de uma Medida Provisória.

O texto, que foi aprovado na Câmara e aguarda análise do Senado, muda regras tributárias para adequar os preços de transferência, usados nessas transações, aos padrões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O objetivo da Fazenda, segundo o secretário, é "jogar luz" nesse assunto para dar isonomia às empresas, já que os grupos que não realizam a triangulação saem prejudicados, assim como elevar o potencial de arrecadação do governo federal.

No começo desse mês, a Receita Federal avaliou que o texto aprovado pela Câmara não traz alterações que prejudiquem os pilares do novo sistema e acrescentou que continua apoiando a aprovação da Medida Provisória para que o sistema de tributação brasileiro seja aperfeiçoado.

 

A Receita Federal informou ainda que a "manutenção do sistema atual é insustentável". "As suas deficiências e os problemas gerados têm se tornado cada vez mais exacerbados com a evolução da economia e o surgimento de novos modelos de negócios", acrescentou.

"As receitas perdidas devido à erosão da base e transferência de lucros, que resultam em dupla não tributação são prejudiciais ao desenvolvimento econômico do Brasil, pois poderiam ter sido usadas para enfrentar os desafios sociais, econômicos e de infraestrutura que o país enfrenta", concluiu o Fisco.

Jabutis tributários

 

Esse é mais um passo na jornada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar o volume de impostos recolhidos e evitar o descontrole das contas públicas.

 

De olho no novo arcabouço fiscal, que estabelece metas de superávit primário (arrecadar mais do que gastar, sem considerar as despesas com juros), a equipe econômica vem tentando viabilizar um aumento de arrecadação por meio do combate ao que os técnicos chamam de "jabutis tributários". Ou seja, medidas que driblam, de alguma forma, a legislação dos tributos.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a União precisa viabilizar um aumento de arrecadação entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões para que as futuras metas de superávit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida pública) sejam factíveis.

FONTE/CRÉDITOS: g1.globo.com
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