O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está no Rio de Janeiro para a posse de Aloizio Mercadante como presidente do BNDES. Indicado pelo petista antes mesmo da confirmação de outros ministros da área econômica como Simone Tebet, Esther Duek e o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin, Mercadante teve a nomeação confirmada pelo conselho de administração do banco e com aval do TCU.
A ida de Lula à posse de Mercadante confirma o prestígio do petista, e a importância dada pelo novo governo ao banco de desenvolvimento.
Dos ministros da área econômica, Lula compareceu apenas a posse de Alckmin, não tendo prestigiado nem mesmo a posse de Fernando Haddad, seu ministro da Fazenda.
Nas gestões anteriores do PT, o banco ficou marcado pela controversa política de “campeões nacionais”, o apoio do banco público a grandes empresas em setores considerados estratégicos, com bilhões despejados e rombo no Tesouro Nacional. No novo governo, Lula nega a volta da política de campeãs nacionais e deu como missão do banco estatal ainda na campanha eleitoral o aumento na oferta de crédito em condições favoráveis ao investimento de pequenas e médias empresas.
Uma das ideias defendidas tanto por Lula quanto Mercadante é que o BNDES aumente a carteira na indústria brasileira, sob a missão de reindustrializar o país e citou o financiamento de medidas para transição energética como um dos focos do banco a partir de agora. Durante reunião com governadores, Lula afirmou que o banco de desenvolvimento irá apoiar os estados.
“ O dinheiro que o BNDES captar tem que ser repartido com pequenas, médias e grandes empresas, com governadores e prefeitos dependendo da qualidade e importância das obras”, afirmou.
Mesmo antes da posse oficial de Mercadante, o BNDES já teve ações anunciadas. Na viagem a Argentina, Lula anunciou a volta do financiamentos por meio do BNDES
para serviços de engenharia no exterior. A medida vem enfrentando críticas tanto do mercado quanto da oposição no Congresso que, além do aspecto financeiro destacam caráter político na decisão, tal qual foi feito também via BNDES em gestões anteriores do PT.
Posse
Economista ligado à escola econômica desenvolvimentista predominante na Universidade de Campinas (Unicamp), Mercadante já foi deputado e senador pelo PT de São Paulo e ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (2011-2012), ministro da Educação (2012-2014), ministro de Estado Chefe da Casa Civil (2014-2015) e novamente ministro da Educação (2015- 2016). Ao assumir o BNDES, deixa a presidência da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.
Além de Mercadante, assumem como diretores do banco Tereza Campello, Natalia Dias e Helena Tenorio, Alexandre Corrêa Abreu, José Luis Gordon, Nelson Barbosa Filho e Luiz Navarro.
Havia incertezas quanto à nomeação devido à Lei das Estatais, que restringe a nomeação para conselhos de administrações ou diretoria de estatais, incluindo a presidência,
de “pessoa que atuou, nos últimos 36 (trinta e seis) meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado à organização, estruturação e realização de campanha
eleitoral”. Mercadante foi coordenador do programa de governo do presidente Lula durante a campanha eleitoral. Entretanto, vinha afirmando que esse trabalho se deu de forma voluntária e se restringiu a trabalho intelectual e teve aval dado pelo TCU pela indicação.
Comentários: